quinta-feira, 28 de agosto de 2014

A nova velha forma de curtir um RPG

Falar sobre gêneros preferidos para cada jogador costuma ser bastante polêmico, mas podemos afirmas que os jogos RPG têm uma legião de fãs que cresceram dedicando horas a eles, em cenários medievais ou de ficção científica, enfrentando os mais diversos percalços. Lançar um novo jogo nesse gênero significa enfrentar os olhares atentos e exigentes de muitos fãs do estilo, e agradar não é tão simples.
Entretanto podemos encontrar no mais despretensioso lugar, uma joia rara e bela. E encontramos uma, chamada Child of Light.
Apresentação
Aurora é uma princesa austríaca ainda criança que se vê na terrível tarefa de correr contra o tempo para salvar a si mesma e ao seu pai e defender o seu reinado. A trama se passa em um mundo mágico, Lemuria, em que ela conhece novos amigos, ajudando-os ao longo do caminho, e busca seu objetivo: lutar contra as forças da escuridão para recuperar o Sol, a Lua e as Estrelas. Toda a história é contada por meio de diálogos estruturados de forma poética. São poemas rimados que deixam a narrativa ritmada e bonita. Há fortes elementos de contos de fada, tanto na história quanto na própria construção da narrativa.
Gráfico e som
Os elementos artísticos deixam o jogo bonito e atraente. Uma pintura em movimento. Cada cenário é cheio de detalhes e ambientado de forma bem caprichada. É perceptível o grande cuidado artístico que o jogo teve. Os gráficos são muito bonitos e dão o tom de magia e conto de fadas a partir da ambientação e da utilização de vitrais em alguns trechos da história. É uma linda obra de arte para se jogar.
E para deixar essa história mais mágica a música é outro elemento que foi artisticamente muito bem construído. São canções bucólicas, que trazem um sentimento de nostalgia, misturando tristeza, nos momentos mais solitários da jornada, ou alegria, em locais mais agitados. São todas orquestradas e mudam de acordo com o mapa que Aurora explora. Com certeza uma das mais marcantes é a canção das batalhas.
Jogabilidade
Child of Ligth trata-se de um RPG em turnos doce e delicado, com característicos elementos de plataforma, ainda mais por ser em 2D. Você explora o mundo comandando Aurora, que investiga os cenários em busca de itens para sua jornada. Após determinados trechos do jogo, ela ganha uma espada e asas (momentos diferentes) e passa a voar, aumentando ainda mais a exploração do ambiente. Ela é acompanhada pelo Igniculus, uma criatura de luz (vaga-lume?) que a auxilia em diversos momentos da jogatina, abrindo portas, baús, iluminando locais escuros, disponibilizando parte da sua energia aos combatentes e até atrapalhando os inimigos.
Cada membro da party entra na jornada em diferentes trechos do jogo, contextualizando suas histórias e disponibilizando suas habilidades para auxiliar Aurora. Essa disponibilidade não é gratuita; Aurora também ajuda cada um deles e eles entram na turma antes ou depois dela ajudá-los.
Os inimigos estão relacionados aos quatro elementos (terra, água, ar e fogo) o que faz com que as batalhas sejam ótimas em termos estratégicos. Cada um é vulnerável a determinada magia ou ataque. As batalhas são muito dinâmicas. Há o tempo de espera e o tempo de preparo do golpe, controlados pela barra em que estão posicionados todos os combatentes.
Escolher qual melhor membro da party para a batalha, o melhor golpe de acordo com a situação, se a escolha será a utilização de uma poção ou defesa e o tempo em que ele dará o golpe são uma das grandes diversões do jogo. Senti falta de ter uma referência mais evidente sobre o HP do inimigo. Só sabemos que eles está morrendo porque eles aparentam fisicamente cansaço, então a morte está próxima.
Em alguns momentos nos deparamos com pequenos puzzles, simples e bem construídos, que devem ser concluídos por serem diretamente ligados à sequência do jogo. Sem sua conclusão é impossível avançar no jogo. Geralmente são usando para abrir portas.
Algo muito importante no jogo são os pontos de skill ganhos em batalhas. Toda batalha gera XP, ou mais ou menos de acordo com o inimigo, que possibilitam o aumento das habilidades, relacionados à esquiva, força, magia, em uma árvore de diversas habilidades, de investimento gradual. Além disso, é possível equipar os membros da party com artefatos especiais que trazem mais habilidades. Aurora ganha em batalhas ou encontra ao longo do caminho pedras preciosas, as Oculi, e com elas, de acordo com diversas combinações, forja outras pedras que dão proteção, aumentam dano em determinada situação, entre outras habilidades.


Veredito
A experiência geral é muito gratificante, apesar dele não apresentar dificuldade ao longo da jogatina. É um jogo muito bem feito e envolvente, desde a jogabilidade até as músicas. Confesso que é difícil parar quando a gente começa. É um bom jogo para iniciar novatos nos jogos de RPG, mas ele não é infantil em termos negativos e pejorativos. É uma obra para ser jogada e apreciada. Os desenvolvedores foram muito felizes com as escolhas feitas e em diversas vezes pensei que esse era um ensaio da Ubisoft/Ubiart para algo maior, quem sabe outro jogo. Eu defino como um jogo conceitual que marca por suas características e merece ser jogado.
;)

Pontos fortes e fracos:

+ Música bem realizada, combinando com o clima do jogo;
+ Narrativa poética;
+ Jogabilidade intuitiva;
+ Sistema de batalha por turno.

- Jogo curto;
- História pouco complexa;
- Nível de dificuldade muito baixo;
- DLC não acrescentam pontos relevantes ao jogo.

Notas:


Gráficos: 9,0
História: 7,0
Jogabilidade: 9,0
Música: 9,0


Nota final: 8.5

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