quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Por Que Jogar - Shin Megami Tensei

Desde o surgimento dos RPGs nos videogames, esse gênero é dominado por ambientações de fanatasia medieval. Jogos como Ultima, Dragon Quest e Final Fantasy fizeram sucesso tremendo, desde suas primeiras versões (e alguns ainda fazem). Mas em algum canto obscuro do Japão, um autor obscuro criou um livro obscuro, que foi a inspiração para um jogo de RPG obscuro. Realmente obscuro.

Megami Tensei, a principio, era um romance escrito por Aya Nishitani, e conta a história de Akemi Nakajima, um jovem gênio da computação que cria um software capaz de trazer demônios para o mundo físico (!?!). Acontece que ele perde o controle sobre os ditos demonios quando Loki decide passar para esse lado. Então Nakajima e sua amiga Yumiko Shirasagi tentam consertar a besteira que fizeram, e descobrem que Shirasagi é a encarnação da deusa Izanami (daí o nome do livro "Megami Tensei", que significa Encarnação da Deusa).

 Ambientação do primeiro jogo.

Com esse plot um tanto diferente do convencional, a empresa Namco notou uma grande oportunidade, e lançou dois jogos para NES, um sendo baseado na história de Nishitani, e o segundo como uma continuação dessa história. Já naquela época, os jogos tinham uma série de inovações, entre elas a dificuldade exageradamente elevada, a história passada num mundo contemporâneo e sua jogabilidade Dungeon Crawler. Mas dois pontos em especial fizeram com que esses jogos tivessem destaque.


O primeiro deles é temática adulta do jogo, com uma pitada de diversas religiões, demonismo e seres de diversas mitologias, onde o jogo não vai te forçar a ser um bom garoto, mas em diversas partes você pode escolher qual caminho irá tomar (se o Caos, a liberdade e fazer suas próprias vontades, ou a Ordem, a lei e o auto sacrifício em prol de outros). Suas decisões alteram o final do jogo, algo que não era visto em outros famosos RPGs da época.

O segundo ponto importante se refere à jogabilidade. O herói não possui nenhum poder especial, magia ou similar, e para conseguir prosseguir no jogo era necessário fazer acordos com os demonios inimigos. Dependendo de suas escolhas durante o jogo e seu alinhamento, alguns diálogos se tornam mais fáceis ou mais difíceis. Sucesso numa negociação poderia significar um inimigo tornando-se um aliado, e assim abrindo um leque de habilidades novas para prosseguir no jogo. Os demônios inimigos nunca ganhavam experiência, portanto a cada calabouço ficavam cada vez menos uteis. Nesse caso, o jogador poderia fazer uma fusão de dois demônios, resultando num terceiro completamente diferente, mas que é mais poderoso, e herda algumas habilidades de seus pais.

Explorando uma Dungeon

Após esse início promissor, os direitos da série foram comprados pela Atlus, que mantém até hoje. Os jogos de Megami Tensei são a principal franquia da empresa. Eles relançaram os dois jogos anteriores para a plataforma mais atual da época, o SNES, como Kyuyaku Megami Tensei, e depois começou aquela que é a principal franquia da série, Shin Megami Tensei.


Versão de PSOne

Os dois primeiros jogos da saga Shin Megami Tensei foram lançados para SNES (e relançados para Sega Saturn e Playstation). O jogador controla o personagem em primeira pessoa ao explorar os calabouços (um sub-gênero geralmente chamado Dungeon Crawler), e as batalhas são similares a Dragon Quest, onde o jogador só vê seus inimigos, e controla o herói e seus aliados via menu. Os heróis são pessoas normais, que recebem um programa de invocação de demônios via email, e decidem usá-lo para acabar com o demonios do mal, ou simplesmente para se protegerem de alguém que lhes quiser causar dano.

Combate e negociação

Após algumas outras subséries, lançadas para Playstation e Sega Saturn, o terceiro episódio da saga foi lançado para Playstation 2, Shin Megami Tensei III: Nocturne. Foi o primeiro jogo da série a ter o controle do personagem em terceira pessoa, tanto nas dungeons quanto no combate. Os gráficos são poligonais com efeito cel-shading, e um novo elemento foi adicionado ao combate: Press Turn, onde os personagens todos tem uma ordem de combate, mas podem adiantar seu próprio turno ao atingir a fraqueza de um inimigo, ou acertar um ataque critico. O personagem principal é um meio demônio, meio humano. Esse jogo também teve, em sua primeira versão, a participação de Dante (protagonista de Devil May Cry) como um aliado.

Combate, dessa vez em terceira pessoa
A exploração de Dungeons também foi modificada

O quarto episódio lançado dessa série foi Strange Journey. Esse jogo não recebeu uma numeração como os demais por se passar fora do Japão. Aqui, surge um tipo de buraco negro misterioso no Pólo Sul, e uma força-tarefa com os melhores soldados e cientistas de diversas partes do mundo é enviada para uma investigação e contenção do fenômeno. Depois de vários jogos paralelos da série, e mesmo de Nocturne, que teve várias mudanças com relação aos anteriores, Strange Journey veio como um tributo aos antigos jogos, com suas dungeons e combate em primeira pessoa, sem os Press Turns e com um protagonista humano, sem acesso a magia (embora consiga causar dano elemental com suas armas de fogo).

 Tela de stats de um Anjo, demonio de baixo nivel (e sexy).

Negociação com Lilim, demonio de baixo nível (e sexy também)

Por fim, veio Shin Megami Tensei IV, exclusivo para Nintendo 3DS. O jogo trouxe de volta o sistema de Press Turn e a ambientação no Japão (agora no Japão Medieval, e com personagens fazendo parte de uma ordem de samurais caçadores de demônios), e algumas novidades, como a dificuldade reduzida, para atrair novos fãs para a série, a dublagem completa do jogo. Esse jogo também tem um designer de demônios diferente, sendo que o designer dos outros jogos assume outro papel no desenvolvimento desse jogo.

Combate de SMT4, aproveitando as duas telas do 3DS

Algumas características comuns à maioria dos jogos da série:
  • Alta dificuldade e inimigos impiedosos;
  • Negociação com os inimigos (demônios) para obter itens, Macca (unidade monetária do jogo) ou aliados;
  • Fusão de demônios para gerar aliados mais poderosos;
  • Um elemento chamado Magnetite, que é utilizado para materializar os demônios no mundo real. Magnetite é bem raro, logo deve ser usado com parcimônia, o que evita que o jogador invoque demônios poderosos o tempo todo;
  • Temas maduros, envolvendo religião, demonismo, morte, destruição (inclusive em um dos jogos da saga, o deus da mitologia judaico-cristã é o vilão, e mesmo quando não tem esse papel, geralmente ele é mostrado como um tirano impiedoso, sendo esse apontado como um dos principais motivos pelo qual a série não tem tantos jogos lançados no Ocidente);
  • Escolhas podem modificar o alinhamento do personagem principal, para Law (ordem), Chaos (caos) ou Neutral (neutro). Esse alinhamento influi nas negociações com demônios (demonios com mesmo alinhamento são mais fáceis de negociar, e são mais generosos ao dar itens e Macca);
  • Geralmente dois aliados humanos, onde um será alinhado com o Chaos, e o outro, Law. Esses aliados entram em conflito várias vezes, ao tentar resolver certas situações, e cabe ao herói acalmar os ânimos de seus amigos;
  • Múltiplos finais baseados no alinhamento do personagem (geralmente o personagem se alia a uma divindade no final Law, aos demônios no final Chaos, ou aos humanos no final Neutral);
  • O bizarro design de demônios por Kazuma Kaneko, algumas vezes com demônios sexualizados ou em formatos de genitálias.
  • Assim como Chocobos em Final Fantasy e Slimes em Dragon Quest, há um inimigo que se tornou um mascote da série, Jack Frost.
Esse é um resumo básico da saga principal de Shin Megami Tensei. Ainda há muitos outros jogos, como a franquia Raidou Kunuzoha, Devil Survivor, DemiKids e Soul Hackers. Mas para a próxima parte do artigo, irei trazer uma das sub-séries mais conhecidas de SMT: Persona. Até lá!

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