segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Forças especiais, serpentes primordiais e o dragão negro.

E aí gente bonita que tem acompanhado o Lore de Lordran. Hoje é dia do quarto post da segunda temporada da série LL, uma passada bastante detalhada em teorias, fatos e especulações sobre a história não contada de Dark Souls, a obra prima da From Software, lançada em 2011.

Como de costume, vale aquela lembrança da primeira temporada, logo depois de uma breve introdução, passamos pela história de Seath, o dragão albino que traiu a todos, em duas postagens (aqui a parte 1 e aqui a parte 2). Então fizemos a viagem até Nito, o senhor da morte em Lordran.

Vimos então as tristes histórias da Feiticeira de Izalith e sua família de piromancistas. E Gwyn, o lorde da luz, nada mais que um humano, no fim das contas.

E então, entramos na segunda temporada, onde abordaremos as trevas que crescem no coração de Lordran. Vimos a história de Oolacile e o Abismo debaixo dela, bem como o segundo berço de trevas na Queda de New Londo.

Já na semana passada vimos a história do Furtivo, o pai da humanidade. Hoje lhes trago a última postagem da segunda temporada... Enjoy.

Explicado isso, vale a pena relembrar que naturalmente haverão gorilhões de spoilers no texto, então, siga por conta e risco.

"The legend of Artorias are none but a fabrication" - Alvina
"A lenda de Artorias não passa de uma invenção"

Muito adentro das trevas das Ruínas de New Londo, sobre o telhado de uma catedral abandonada, repleta dos espíritos das mulheres mortas na limpeza ordenada por Gwyn, umas poucas, ainda com seus filhos, encontramos um feiticeiro, sozinho. O último guardião nas trevas.

O feiticeiro em vermelho nos explica que nenhum ser comum pode encontrar os Quatro Reis, pois nenhum ser comum pode caminhar pelo Abismo. Exceto por um guerreiro de eras passadas. Artorias the Abysswalker, ou, em nosso idioma, Aquele que Anda (ou caminha) no Abismo.

Isso se dá pelo acordo que Artorias fez com as bestas do abismo. Algo que nos é dito exatamente desta forma, mencionando bestas, no entanto, sempre pensei que poderia ter sido muito bem Frampt, como Kingseeker, e aliado do Rei Gwyn em uma forma de impedir o avanço do abismo.

Frampt, assim como Kaathe, outra serpente primordial que pode ser encontrada no Abismo de New Londo, provavelmente
conta com a mesma habilidade de vagar pelo Abismo sem sofrer qualquer mal.

Como ambas se encontram fundamentalmente em linhas contrárias, faria sentido que uma tentaria sabotar os planos da outra, dando condições para que os maiores guerreiros daquela era fossem de encontro à maior arma da inimiga (O Abismo).

Mas por mais poderoso que Artorias, Hawkeye Gough e Ciaran fossem, os três não foram páreo para o que Oolacile guardava.

Desde a guerra contra os dragões ancestrais, quatro cavaleiros de Gwyn se destacaram entre os demais. Estes guerreiros receberam anéis e mais depois de sua atuação na guerra contra os dragões ancestrais e depois da guerra, servindo ao Lorde da Luz.


O Destruidor de Dragões, Ornstein, capitão desta força de elite e usuário da lança com dano elétrico utilizava seu primeiro ataque para arrancar as placas rochosas dos dragões.

Artorias, aquele que caminha pelo abismo. Guerreiro incomparável no manejo da espada bastarda e força de vontade.

A Lâmina do Lorde, Ciaran, assassina sob o comando direto de Gwyn. E o Cavaleiro Artorias, o guerreiro mais habilidoso com a espada.

Hawkeye Gough, um arqueiro extraordinário, foi o comandante das forças de arqueiros de Gwyn, capaz de derrubar dragões em pleno vôo com uma de suas flechas.

Ornstein, O Destruidor de Dragões, Capitão da força de elite de Gwyn, composta dos membros acima, ficou incumbido de guardar os aposentos da Princesa Gwynevere, junto de Smough, O Executor, contra qualquer inimigo do reino que ousasse importunar a última grande Deusa de Anor Londo.

O Executor, mesmo com todas suas forças não pode integrar as forças especiais por seus hábitos de canibalismo para com suas vítimas, mesmo sendo um guerreiro poderosíssimo. Seria ele irmão de Ornstein? Ambos guerreiros com habilidade de absorver o poder de alguém morto, armaduras igualmente douradas, diferentemente dos demais guerreiros de elite. Ambos eram Gigantes e, quando um deles tomba, o outro assimila seus poderes e se fortalece.

Food for the though.

O Dragão Negro


Não se sabe se Kalameet veio a Oolacile durante a ascensão do Abismo, ou depois, com o cerco de Anor Londo já montado na cidade. Mas acredito que a criatura foi atraída, de alguma forma, por Manus e as trevas crescentes nas profundezas da cidade durante a descida de Artorias até o Chasm of the Abyss. Isso explicaria por que Gough não o seguiu, tendo de ficar para trás para dar cobertura as forças de Gwyn, que estavam sendo atacadas por Kalameet em um vale próximo.

Essa divisão dos poderes fundamentais de Gwyn foi determinante no destino do Abismo, e mesmo de Anor Londo.

Ciaran provavelmente não os acompanhou pois era consideravelmente mais frágil que os companheiros em armas, e "utilizada" para missões de infiltração e assassinato. Seu lugar não era em um campo de batalha tão volátil quanto o Abismo.

Separado de Gough e Ciaran, sem reforços de Anor Londo, Artorias não hesitou em invadir o covil das trevas, confiante em sua habilidade com a espada e força de vontade inigualável. Seguiu seu caminho pelas ruínas de Oolacile, destruindo seus cidadãos corrompidos pela Humanidade descontrolada em Manus.

Enquanto isso, na superfície, as forças de Anor Londo eram dizimadas pelo Dragão Negro, Kalameet.

Gough, em um ponto mais alto, encarregado de dar um suporte que nunca chegou aos soldados no vale. Gough, cego, deve ter ouvido os gritos do massacre que se seguiu. O elmo que lhe foi dado como presente, envenenado com seiva de uma árvore, pode ter lhe sido dado pelos cidadãos da própria Oolacile, assim que chegaram a floresta real.

Por que Kalameet fora atraído pelo Abismo? Vingança?

Ao final da Era anterior, os Lordes mataram os dragões ancestrais, dando início a Era do Fogo. A humanidade, desenfreada, descontrolada no fundo de Oolacile é venenosa para os gigantes, no entanto, ao
encontrarmos Kaathe no Abismo, temos prova que as serpentes primordiais não encontram problemas em caminhar pelo Abismo. Os dragões, sendo parentes próximos, provavelmente contam com a mesma habilidade.

Kalameet pode ter sido atraído por uma arma suficientemente poderosa para destruir Gwyn e os demais usurpadores do mundo dos dragões ancestrais.

Com Gough cego em sua torre, Kalameet podia voar livremente pela região, mas sem nunca arriscar a proximidade. Na certa não arriscaria uma flecha que o impedisse de voar para sempre, então ambos ficaram em um jogo de paciência "eterno". Até a chegada do chosen undead.

Enquanto seguia sua descida ao coração das trevas, Artorias encontrou o guardião de Manus à entrada do abismo, a criatura disforme conseguiu quebrar o braço de Artorias, o braço de sua espada. Aos trancos e barrancos, Artorias conseguiu passar pelo monstro, apenas para ser corrompido pelas trevas, no Chasm of the Abyss.

E foi assim que, Artorias the Abysswalker, o primeiro cavaleiro, caiu.

Corrompido pelo ódio e loucura da influência de Manus, Artorias subiu se arrastando, deixando um rastro de trevas por onde passava, até chegar ao coliseu, a primeira linha de defesa de Manus. E como um cão guarda a casa do dono, Artorias foi reduzido a isso, um cão de guarda.


Mas o guerreiro sempre será muito mais que isso. Nos diálogos cortados do jogo ele nos implora que demos meia volta e deixemos o coliseu, antes que as trevas tornem a dominá-lo. Apesar de ter perdido contra o Abismo, Artorias sempre será lembrado pela sua nobreza.

Pelo desafio colossal que impôs ao Chosen Undead, mesmo com seu braço de espada esfacelado.

Pelo seu sacrifício pelo companheiro de batalha.

Por seu grande amor.

Encontramos Sif, com a ajuda de Alvina, ainda no Chasm of the Abyss, bastante próximo à Manus. Provavelmente próximo de onde Artorias caiu. Artorias sequer chegou a enfrentar Manus, pois em seus ataques violentos, Manus teria destruído Artorias, não o convertido.

Não, Artorias foi convertido pelas trevas, talvez envenenado pelos espíritos das humanidades que cercaram ele e seu companheiro de batalha, Sif. Mas em um último ato de honra e altruísmo, Artorias usou seu escudo para criar uma barreira mágica para proteger seu amigo.

Quando o Chosen Undead invade o Abismo destruindo tudo em seu caminho, e então acaba com a ameaça do Abismo, destruindo Manus, Alvina provavelmente tem poder o suficiente para tirar Sif de lá e o levar a superfície, que no futuro, ficará conhecida como Darkroot Garden.

Na época, Sif era apenas um filhote, Alvina podia ser o mesmo. Seu carinho que nos levou até o lugar onde Artorias deixou Sif. Esse carinho continuou pelas eras, como podemos comprovar pelo discurso de que o chosen undead não deve perder tempo seguindo até a tumba de Artorias. Na certa um ardil para convencer o chosen undead a não importunar seu... Amigo? Amor?

Seria Alvina, assim como Ciaran, aquela esguia, com habilidades que lhe permitem agir nas sombras, enquanto Sif, como Artorias, é um guerreiro. Seriam ambos, diferentes como Artorias, um gigante e Ciaran, de outra espécie e amantes também?

"You humans, always taking what you please" - Lord Blade Ciaran

Temos esse mistério quanto a espécie de Ciaran. Se ela não era humana, por que tinha o tamanho de um humano? Seria uma espécie de Gigante Anã?

O que sabemos é de seu amor por Artorias, ao ponto de entregar suas armas pela alma do guerreiro, ao ponto de morrer, ao lado da lápide do seu amado.

A queda de Ciaran, a quarta guerreira de Gwyn, caiu por tristeza, pela morte do seu amor.

Voltando a Alvina. Na certa a felina é muito mais que as aparências denotam. Alvina invade o Chasm of the Abyss para salvar Sif, em aparência levemente diferente. Mais jovem, talvez?

Mas mesmo assim, diversos séculos se passaram desde os incidentes em Oolacile. Podemos afirmar isso não apenas nos diálogos, mas na mudança dos cenários. Podemos ver MUITAS semelhanças entre Darkroot e os Jardins Reais, a ação do tempo justificaria a mudança.

Seja a longevidade, ou as habilidades que lhe permitiram invadir um dos lugares mais perigosos de toda Lordran sem ser ferida, Alvina é consideravelmente mais poderosa que aparenta.

Hawkeye Gough, não caiu devido a cegueira, como nos provou ao abater o "morcego" em pleno vôo.

" - De que serve um cão quando não existem mais lebres para caçar?" Nos pergunta o velho guerreiro, sem vontade de lutar, talvez até "apaixonado" pelo seu último inimigo, a última ameaça dracônica. Não o derrubando dos céus para não perder totalmente seu propósito.

Quando confrontado por nós, pelo Chosen Undead, vê o quão ridículo isso é e derruba o morcego dos céus, com apenas uma flecha. Só podemos imaginar o quão incríveis devem ter sido as divisões de arqueiros sobre o comando de Gough na guerra contra os Dragões Ancestrais.

Ornstein e Smough encontram seu fim séculos depois dos demais, nas mãos do Chosen Undead, enquanto ainda protegiam uma ilusão, criada por Darkmoon para manter o reino sob controle. Mas seriam os dois guerreiros ilusões eles próprios? Ou ao menos Ornstein, com o intuito de manter Smough sobre controle?

Acredito que não, uma vez que Smough absorve os poderes elétricos de Ornstein e Ornstein absorve a força bruta de Smough.

Fato é que, os guerreiros são abatidos, dando fim à lendária força de elite de Gwyn. Ou não?

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