quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Por que Jogar - Card Games

Olá galera! Hoje voltarei a escrever um artigo da série "Por que jogar" (aqui o artigo sobre Shin Megami Tensei, e aqui sobre Persona), e no artigo de hoje irei escrever sobre card games, já que o sr. Limão (+Leandro Cirilo) tem me pedido para escrever uns artigos sobre o tema no Jornal da Porca. Então, preparem-se porque é hora do duelo!


A origem dos TCGs vem dos Estados Unidos, daquelas coleções de cartinhas de jogadores da liga nacional de Baseball. Com o tempo e o sucesso dessas coleções, foram lançados novos modelos, baseados em outros esportes, HQs, desenhos animados, filmes, etc. Pensou se em criar um jogo desses cards, num estilo de Super Trunfo, onde você coleciona suas cartas e as compara para ver quem ganha, quem tem as melhores cartinhas. Foi então que surgiu o primeiro jogo baseado em cartas colecionáveis, que simulava um combate entre dois jogadores: Magic The Gathering. Esse jogo tornou-se um modelo para todos os Card Games vindouros, com elementos que viriam a ser copiados ou modificados na maioria deles.

Magic é o mais famoso e mais popular card game da atualidade, embora nem sempre tenha sido dessa forma. Ele já passou por alguns altos e baixos, e hoje tem a supremacia sobre os TCG, por ter uma combinação de regras sólidas, equilíbrio, muita estratégia e artes belíssimas. O jogo se trata de um duelo entre magos, os planeswalkers (que são os jogadores), que retiram energia mágica dos planos para utilizar feitiços, invocação de criaturas e artefatos e tentar derrotar o mago adversário.

No jogo, propriamente dito, o jogador deve montar seu grimório (seu deck) contendo uma variável quantidade de cartas (nas regras de torneios, o mínimo é 60 cards, sem um número máximo) incluindo criaturas, magicas, feitiços, auras, artefatos, terrenos, etc.  As cartas que são mais importantes são os terrenos, já que deles você tira mana para usar todas as demais cartas, que terão um custo colorido no topo. As criaturas são invocadas em campo de batalha para atacar o adversário, ou defender o invocador, mágicas e feitiços são habilidades efêmeras que são descartadas ao resolverem. Artefatos também tem essas habilidades, mas permanecem em campo até serem destruídas. Usando essas combinações, você deve atingir seu oponente até eliminar todos seus pontos de vida, embora o mesmo possa bloquear seus ataques com suas próprias criaturas ou mágicas.



As cores predominantes de seu deck podem dizer a maneira como você joga: o deck azul é focado em mágicas e feitiços que controlam o campo de batalha e levam o oponente ao engano; branco costuma atacar com muitas criaturas pequenas, ordenadas e que se ajudam; verde tem criaturas custosas, mas extremamente poderosas; vermelho é impetuoso, ataca rápido, forte, de uma forma que elimine o oponente antes que esse possa reagir, embora peque na defesa; finalmente, preto é baseado na decadência e impureza, no poder a qualquer custo, tem criaturas que voltam fácil do cemitério, e tem facilidade de colocar criaturas adversárias lá.

Depois de algumas idas e vindas de Magic, a Wizards conseguiu se estabilizar no topo do mundo dos Card Games, e ao ver o sucesso de uma franquia japa em terras ocidentais, pensou "Por que não?". Assim, pegando carona no desenho animado de Pokémon, ela lança Pokémon Trading Card Game (aqui no Brasil saiu como Pokémon Estampas Ilustradas). O jogo claramente foi feito para uma audiência bem mais jovem, com regras mais simples.

O esquema de deck é o mesmo (mínimo de 60 cards), mas você não precisa pagar um custo para colocar um Pokémon básico em campo. De fato, se você não tiver um Pokémon lá, você perde a partida. Um turno depois que um Pokémon básico está em campo, seja como Pokémon ativo (o que está lutando contra o oponente) ou um dos cinco reservas (lembrando que no desenho o treinador só pode carregar seis Pokémon), ele pode ser evoluído para um poke mais forte. Para atacar o oponente, você deve anexar cartas de energia ao Pokémon. Pokémon mais poderosos tem ataques mais fortes e mais custosos. Ao derrotar um Pokémon inimigo, você coleta um prêmio (uma das seis cartas separadas do deck no início de um duelo) e seu oponente deve substitui-lo por outro Pokémon reserva. Você vence a partida se coletar 6 prêmios, ou se o oponente não tiver mais Pokémon reservas.



Enquanto a Wizards estava ali, dominando em vários fronts, várias empresas tentavam abocanhar o promissor mercado dos jogos de cards. Uma das que teve êxito foi a desenvolvedora de games Konami, com seu TCG/Anime Yu-Gi-Oh!. Nesse jogo, você deve destruir o oponente e seus monstros, usando seus próprios monstros, mágicas e armadilhas. O campo de batalha é bem mais limitado que o dos outros dois jogos (5 monstros e 5 mágicas/armadilhas podem estar em campo ao mesmo tempo, de cada lado), e aqui as criaturas são um pouco mais que ferramentas, são uma parte essencial do combate, já que quando uma criatura é destruída, seu mestre também sofre dano. Ao reduzir os pontos de vida do adversário a 0, ganha-se a partida.

Há outras formas, inclusive o famigerado Exódia (usado pelo protagonista do desenho para vencer uma partida impossível), o qual vence a partida automaticamente caso o jogador consiga colocar na mão todas as cinco cartas que o compõem. Yu-Gi-Oh! fez sucesso baseado em seu anime, mas o TCG evoluiu muito mais rapidamente que o drama, com novas regras, novos tipos de criaturas que tornam o jogo mais competitivo (Synchro, Xyz e Pendulum), limitações para evitar que os jogadores coloquem facilmente monstros poderosos em campo, entre outras.


Também ficou extremamente popular por ter cartinhas com pactos com o capeta, que pegam fogo azul, e consomem a alma das criancinhas caso elas participem do duelo das trevas. Por esses motivos era fácil achar cartinhas de Yu-Gi-Oh! nas ruas, provavelmente de algum garoto cuja mãe o exorcizou e expulsou todas as criaturas dusinferno de dentro de casa. (essa parte não foi verificada e não possui citações confiáveis)

Outro jogo de cards online, lançado no intuito de competir com Magic, foi Shadow Era. Nesse jogo há um duelo entre as forças das sombras e dos humanos. O jogo acabou fazendo bastante sucesso, e foi lançado para plataformas mobile, desktop e inclusive cartas físicas, depois de uma bem sucedida campanha no Kickstarter.

A principal carta é o herói, o comandante do time, que possui uma facção e uma classe. Seu deck deve ser montado com cartas pertencentes à mesma classe do herói, ou neutras. O objetivo do jogo é reduzir a vida do herói adversário a 0, por meio de habilidades ou ataques de "aliados" (as criaturas do jogo).
No início de seu turno, você pode sacrificar uma das cartas na sua mão para adquirir recursos (cada carta sacrificada aumenta o máximo de recursos em 1, mas apenas uma carta pode ser sacrificada por turno). Cada carta possui um custo de recurso, e os aliados possuem uma quantidade de pontos de vida, e a força (quantidade de dano causado). Os Heróis possuem uma habilidade especial, que pode ser utilizada ao gastar Shadow Energy, um tipo de energia acumulada turno a turno pelo herói.

Por fim, depois dessas empresas tentarem criar o novo Magic: The Gathering (e sempre falhando em algum ponto, já que nenhum desses card games alcançou o sucesso do game da Wizards), uma empresa de fora do ramo dos TCG, mas com muita experiência em Games em geral, decidiu se arriscar. Foi aí, com um investimento inicial limitado, que nasceu Hearthstone, o card game baseado na franquia Warcraft, da Blizzard. O jogo é visivelmente baseado em Magic, como os próprios desenvolvedores confessam, já que eles são fanáticos pelo jogo de Richard Garfield, mas eles tentaram fazer com que o jogo fosse bem mais simples de aprender, mas que fosse possível ter aquela pegada estratégica de MTG.

Então surgiu um game online fácil de se iniciar, e que um jogador dedicado poderia criar estratégias e decks para gerar combos fantásticos. Cheio de interatividade (quase tudo no cenário é clicável e tem alguma interação com o jogador, com uma música (e diga-se de passagem, uma dublagem) cativante e o design muito bem feito, Hearthstone subiu rapidamente ao topo do rank dos TCG. Inclusive, para a galera que não manja de Inglês, o jogo é completamente traduzido para Pt-Br, inclusive as falas dos heróis e dos lacaios.

As cartas são seus minions, e seu objetivo é derrotar o herói adversário. A cada turno, você recebe um cristal de mana (até 10 no máximo). Quando você usa um cristal, ele ficará vazio até o início de seu próximo turno. Ao pagar a quantidade de mana requerida por uma carta, ela poderá ser jogada em campo. Toda carta de minion tem seus pontos de vida e de ataque, e ao zerar seus pontos de vida a carta é destruída. Além disso há cartas de magias, que usam uma habilidade num herói ou minion, ou armas que possibilitam ao herói atacar como uma carta normal. Os heróis são baseados em personagens clássicos de Warcraft, como Uther the Lightbringer (Paladino) ou Thrall (Xamã), e os minions são criaturas básicas dos jogos, como os Murlocs, Golems e unidades humanas.

Características marcantes dos card games em geral:

  • Estratégia: é preciso pensar bastante antes de se fazer uma jogada. Mesmo antes do jogo, é preciso pensar bastante para montar seu deck, criar jogadas e tentar prever as contra-jogadas de seus oponentes.
  • Artes: As cartas geralmente têm ilustrações fantásticas.
  • Variedades de estratagemas e formas de surpreender os oponentes. Não tem monstros fortes? Pode criar uma estratégia baseada em mágicas, ou contra atacar com magias. Seus monstros são fracos, mas você ainda pode usar uma tática de encher o campo de criaturas e sobrepujar o adversário em números. Se nada der certo, você pode resistir e fazer o oponente perder por deck-out (fazê-lo descartar cards do deck até que não possa mais comprar nenhum card).
  • Divertidas jogatinas contra um adversário, estimula a competitividade. No caso de certas regras de alguns TCG, é possível também a jogatina cooperativa, e nesse caso as estratégias de cada jogador devem colaborar entre si para terem efeito contra uma dupla de adversários.
  • Coleção de cartas, que assim como qualquer tipo de coleção, pra muitos é um hobbie, e mesmo aqueles que não tem esse costume, adoram ter alguma cartinha rara para mostrar para os amigos e deixá-los babando...

Well, espero conseguir ao menos despertar a curiosidade de vocês para o tema. Caso queiram um duelo, ou uma ajuda para iniciar no mundo dos card games, pode comentar aí embaixo, chamar o jovem +Eduardo Botelho (sou eu), ou tentar adicionar o nick edknight no jogo que tu quer jogar, e eu tentarei passar alguma coisa que sei para os jovens padawan.

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