sábado, 8 de novembro de 2014

Os horrores da guerra com Valiant Hearts: The Great War



Mais um jogo simples e despretensioso da Ubisoft, utilizando a engine UbiArt Framework que conquistou muitas pessoas
A Ubisoft vem se dedicando a realizar jogos despretensiosos, sem a preocupação de serem grandes produções, utilizando novas ideias, história e arte, resgatando a jogabilidade muitas vezes mais simples e intuitiva e os jogos em 2D. Child of Light foi um verdadeiro sucesso de crítica, mostrando que todos os pontos explorados no jogo ainda são muito apreciados  pelos jogadores mundo afora.
A impressão que temos é que a Ubisoft se tornou um verdadeiro laboratório de experiências e testes sem a cobrança das vendas altas ou da continuidade das grandes séries. Um verdadeiro experimento para possíveis novos títulos, sentindo o que agrada o público e que é diferente das receitas usuais de grandes lançamentos, como grande realismo ou ação desenfreada.
Valiant Hearts: The Great War é mais um título que usa uma via diferente de produção e que agradou muito os jogadores, trazendo uma história marcante em um puzzle simples e direto.


História

O jogo conta com maestria a triste realidade da guerra. Na contra mão das produções mais conhecidas, a grande guerra escolhida foi a primeira, iniciada no ano de 1914, durando quatro anos. O conflito envolveu uma disputa de poder inicialmente entre os Aliados (Reino Unido, França e Império Russo) e os Impérios Centrais (Império Alemão, Áustria-Hungria e Itália).
No jogo você conhece o cotidiano da guerra de uma forma bastante envolvente. São quatro capítulos que contam a história de Emile, avó francês que teme pela sua família em meio aos horrores da guerra e vai para o front, o americano Freddie, que se envolve na guerra por motivos pessoais, a belga Anna, enfermeira, independente do lado da guerra em que esteja, e o alemão Karl, genro de Emile. Cada um deles tem uma participação diferente na história e jogamos de forma alternada com cada um deles, que têm suas histórias entrelaçadas por amizade e sobrevivência à guerra.

Para melhor compreender o conflito, o jogo apresenta em cada capítulo uma série grande de colecionáveis que dão detalhes sobre como era a vida dos soldados e dos civis vítimas da guerra. Você encontra objetos brilhando ao longo do cenário e interage com eles pegando-os para a sua galeria. Nela você pode ler pequenos textos que explicam descrevem seu objeto e explicam o seu uso.
Há ainda descrições sobre o avanço de cada conflito ao longo dos anos e páginas de diário de cada um dos personagens com as impressões pessoais sobre os fatos. Muito interessante também é a localização do jogo trazer informações específicas do envolvimento do país na guerra. Ler sobre pequenas informações sobre a participação brasileira na guerra foi uma agradável surpresa.
Jogar lendo ou não essas informações pode sim mudar a sua experiência com a história, pois é por meio dela que o envolvimento com a história se aprofunda. É com esses relatos que o jogador passa a torcer pelos personagens, fazer expectativas sobre o desfecho, ter a verdadeira dimensão do drama que eles vivem.



Jogabilidade  

O jogo em 2D possui mecânica simples de controles: movimentação com os direcionais para esquerda, direita, para cima para subir em obstáculos ou entrar em prédios e cenários em planos diferentes, além de botões para a ação e gatilhos para jogar objetos.
Em boa parte do jogo há o auxílio de um fiel amigo, um cachorro de resgate, Walt, que obedece aos comandos do personagem quanto ele solicita. Um combinação de gatilho e botões dá comandos para que o cachorro entre em algum buraco, supere algum obstáculo, recolha algum objeto que será utilizado no jogo. É uma ajuda e tanto em diversas situações.
Cada personagem tem habilidades específicas, diversificando as possibilidade de interação com cada um deles. Emile utiliza com frequência uma pá ou colher, Freddie tem um alicate, Anna dirige seu carro e usa o kit de primeiro socorros, Karl constantemente tem que fugir, esgueirando-se por arbustos e sombras e Walt, que obedece as ordens dos personagens desde que não corra risco de vida. 
O jogo, diferente do que muita gente pensou no momento do seu anúncio, é um puzzle. Para avançar nos capítulos é preciso utilizar de situações de resolução, desde vencer um obstáculo utilizando elementos do cenário até salvar pessoas que precisam ser resgatadas. Os puzzles são bem simples e ainda é possível obter dicas que o jogo disponibiliza para a sua resolução.
A movimentação é um pouco lenta, o que pode provocar certo desespero em situações de fuga, por exemplo, mas o jogo não atrapalha o jogador neste aspecto. Não acontece nada que não possa ser resolvido com a movimentação disponível.
Em alguns capítulos é possível dirigir e superar obstáculos móveis, trazendo mais ação ao jogo. E não é porque ele é um jogo com movimentação lenta e baseado em puzzle que ele não possui momentos de ação. Em muitas situações é preciso ser rápido e preciso para resolução dos desafios propostos.

Gráficos e som

O visual do jogo lembra uma história em quadrinhos, com linguagem simbólica entre os personagens, com balões de fala cheios de imagens. Os traços são simples e coloridos, contrastando com o clima de tensão que o jogo, mas que de forma alguma prejudica ou tira o clima de tensão da narrativa.
A violência e o horror da guerra são evidenciados de forma clara, não deixando a desejar neste quesito, mesmo se tratando de um jogo que não se utiliza de traços que se aproximam da realidade.
O clima de guerra toma proporções ainda maiores quando acompanhado da trilha sonora triste e melancólica. Alguns momentos acompanham grandes sucessos da época, como os trombones e cornetas de músicas que embalam o Can-can.



Conclusão

Particularmente sou suspeita para falar sobre o jogo. A temática histórica e de guerra sempre me atraíram e a forma sensível com que foi demonstrada no jogo consegue cativar. Mesmo com poucos desafios e jogabilidade simples, Valiant Hearts consegue alcançar seu objetivo, mostrando os horrores da guerra em uma narrativa envolvente e até didática. Aprendemos muito sobre a guerra com o jogo e é possível sentir suas consequências tendo contato com um cotidiano difícil, com a visão dos civis e militares que sofreram com ela.
Com um final surpreendente, digno para o título, que pode levar os mais sensíveis às lágrimas e com certeza fará muitos refletirem sobre a temática da guerra e das relações humanas, espero que Valiant Hearts dê continuidade a uma safra de jogos que pretendem mais do que número de vendas, mas trazem entretenimento e diversão de forma simples e direta, e porque não, cheia de emoções e aprendizagem.

Ponto forte: 

  • História marcante;
  • Utiliza diferentes habilidades dos personagens;
  • Informações históricas reais.
Pontos fracos:
  • Pouco desafio;
  • A movimentação lenta pode desagradar alguns.




;)  


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